Sepulturas e capelas abandonadas de Agramonte abrigam colónia de gatos.
Autarquia prevê esterilização e campanha de adopção
Á porta do cemitério de Agramonte, no Porto, não há um buraquinho para estacionar carros. Há gente que, “numa fugida” à campa de familiares, deixa os veículos de qualquer forma. Porém, mal se entra no cemitério a confusão da cidade parece ficar a quilómetros de distância.
Talvez, por isso, este seja o local preferido para quem como Rosa Maria Dias, 65 anos, o visita diariamente para se sentir “em paz”. Espaço privilegiado para ela e para uma colónia de gatos que por ali vagueia, nos corredores de sepulturas abandonadas.
São às dezenas, de vários tamanhos e cores, ainda que predominem os felinos pretos e pretos e brancos. As diversas “famílias” que se espalham pelo cemitério têm ainda a particularidade de serem dominadas por fêmeas.
“Os vários cemitérios do Porto têm muitos gatos. Este não é excepção”, conta, ao JN, um dos funcionários de Agramonte, que já se “habituou” à presença dos animais, ao ponto de conhecer “os esconderijos”. “Ó Preta!”, chama o homem mal se cruza com uma gata que pára ao chamamento e fica a olhá-lo fixamente.
Aliás, outra característica desta comunidade de gatos é que, de tanto estar habituada ao entra e sai de pessoas, não se mostra muito assustada. Porém, tentar apanhar algum destes bichos pode tornar-se numa tarefa inglória.
O mesmo funcionário explicou que o aumento constante de gatos no cemitério de Agramonte fica a dever-se, sobretudo, a dois factores: “Às pessoas que abandonam os animais neste local e às outras que vêm de propósito dar-lhes comida”. “Ainda há uma semana deixaram aqui ficar mais dois pequeninos”,
acrescentou. Certo é que os lugares preferidos dos felinos no cemitério de Agramonte são os jazigos e capelas abandonados.
A Câmara do Porto esclareceu, ao JN, que esta colónia de gatos está, realmente, ” identificada como composta por um número excessivo de indivíduos”, explicando que as causas para este “descontrolo populacional” estão associadas “à disponibilidade de alimento em excesso colocado por
munícipes e trabalhadores”, assim como pela oferta de “abrigo nas estruturas do cemitério”.
Ainda assim, a Autarquia que passará a “proibir a distribuição de alimento no cemitério”, tem prevista “a captura dos gatos existentes” para uma “avaliação clínica dos animais”. Com a ajuda de associações de protecção animal estão também a ser acauteladas “esterilizações” e a “adopção dos animais”.
Comentar