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A campanha de desratização deste ano será marcada pela aplicação de um novo veneno de controlo de roedores nas zonas urbanas. Terá a forma de pastilhas substituindo os antigos grãos de trigo para um melhor combate sobretudo aos chamados murganhos. São duas fases de distribuição do veneno de controlo de ratos e ratazanas, coincidentes com o início das sementeiras e com a época de colheita do milho.
Nos meses de Março e Setembro, as autarquias de Angra do Heroísmo e Praia da Vitória e o governo regional através dos serviços da Direcção Regional do Desenvolvimento Agrário (DRDA), em colaboração com as juntas de freguesia, vão dar inicio à campanha de desratização de 2010, uma iniciativa conjunta que traz este ano um novo raticida a ser aplicado nas zonas urbanas. Em declarações ao nosso jornal, o médico veterinário do município de Angra do Heroísmo indica as razões que levaram à substituição do veneno em grãos de trigo por pastilhas, até então utilizado para o efeito. “Aparentemente há alguma resistência sobretudo dos murganhos ao veneno que nós temos aplicado nos últimos anos. Esse veneno tem funcionado relativamente bem a nível de ratos de campo – ratos castanhos e ratazanas –, já com os pequenos, os murganhos de casa, não tem sido tão eficaz”, explica Diogo Costa.
Na prática, continua, a aplicação do raticida em grãos de trigo será mantida nas pastagens pelos serviços do DRDA, sendo que o município entendeu tomar a opção por um principio activo diferente numa apresentação também diferente para fazer o controlo de roedores nas zonas urbanas. “As pastilhas serão mais eficazes. Têm é a desvantagem de serem bastante mais dispendiosas e de apresentar uma menor resistência à humidade, o invólucro e a embalagem são mais sensíveis à água”, considera. Enquanto a autarquia de Angra do Heroísmo está responsável pelas zonas públicas do Relvão, Jardim Duque da Terceira, Mercado Municipal Duque de Bragança, zona da ETAR e Parque de Oficinas, cabe à comunidade em geral estabelecer o contacto com os serviços da Junta de Freguesia da sua área de residência para ter acesso ao raticida, gratuitamente, a aplicar nas zonas consideradas estratégicas da sua habitação.
O médico veterinário alerta para o facto de se tratar de um “trabalho colectivo” e, por isso, sublinha a importância de envolver todos na campanha. Essa importância estende-se não só às medidas de aplicação responsável e cuidada do raticida mas também, e sobretudo, ao trabalho de prevenção. “A aplicação de raticida deve ser o último passo. Primeiro há que colocar em prática uma série de medidas preventivas que, por exemplo, passam por evitar a acumulação de lixo doméstico ao redor das suas residências e manter a vegetação bem cortada nos quintais para os ratos não terem abrigo”, aponta. Igualmente problemático, alerta ainda, é a existência de casas devolutas e em ruínas em elevado número na ilha Terceira, consideradas “locais extraordinários” para a criação e propagação de roedores. “É importante que toda a gente faça a desratização. Se alguém controlar na sua casa e o vizinho não o fizer o problema irá persistir”, frisa.
Distribuição e formação
Outras das novidades da campanha de desratização de 2010 é a distribuição de panfletos por diversos pontos da ilha Terceira sobre as medidas preventivas e de segurança na aplicação do raticida, no sentido de fazer chegar a informação à população em geral, e uma acção de formação destinada aos representantes das juntas de freguesia no que diz respeito à forma como deve ser aplicado o veneno correcta e seguramente.
Neste sentido, Diogo Costa indica os principais cuidados a ter na aplicação desses princípios activos, que passam pela utilização de vestuário adequado, luvas, não sendo aconselhável fumar nem a ingestão de alimentos durante o processo por questões de segurança. Já sobre as designadas estações rateiras, o médico veterinário explica que o ideal são caixas plásticas ou de madeira, estanques e impermeáveis, de difícil acesso a outros animais domésticos, cuja localização deve estar devidamente identificada.
“Sem dramatismos”
Apesar de, em termos gerais, reconhecer existir este ano um problema excedente de ratos face ao ano anterior, fruto provavelmente das más condições meteorológicas verificadas este Inverno, Diogo Costa desdramatiza a situação. “Não gosto de dramatizar. Os ratos existem, são preocupantes, e devemos agir”, prontifica, esclarecendo que dentro da zona classificada do Património de Angra “não é dos lugares onde existem mais queixas”. O médico veterinário revela que foram registadas nos serviços da autarquia várias queixas de moradores de todo o concelho de Angra do Heroísmo, sobre a existência de roedores, sobretudo no final do ano passado e no princípio de 2010. “Houve uma maior carência de alimento para os animais de pecuária e consequentemente a necessidade de recorrer às silagens mais cedo do que se esperaria, outro ponto crítico na criação e propagação de roedores”, explica Diogo Costa, rematando em suma que “os ratos são sem dúvida um problema de saúde pública e que podem transmitir doenças como a Leptospirose”.
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